Dívida ativa do Amazonas pode chegar a R$ 8 bilhões
13 de junho de 2012 23:22 0 comentários

MANAUS – O ‘calote’ resultante dos mais de 6 mil processos de autos de infração que devem compor a Dívida Ativa de Débitos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) pode chegar a R$ 8 bilhões, de acordo com dados atualizados ontem pela Secretaria de Estado da Fazenda do Amazonas (Sefaz-AM). Tratam-se de pendências financeiras de contribuintes dos três segmentos (indústria, comércio e serviços) que ainda não foram pagas ao Estado e que serão encaminhadas à cobrança judicial, após julgados.

“Não significa que vamos fazer um resgate para arrecadação do Estado desse montante, mas vamos verificar os processos que acusam irregularidades. Caso a irregularidade configure dívida, faremos a cobrança”, esclareceu o secretário de Estado da Fazenda, Isper Abrahim.

A Lei Complementar 12/2012 que tramita na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) foi a medida encontrada pelo governo do Estado para reduzir danos futuros. Ela modifica a entrada dos processos, do papel para o meio eletrônico e reduz de a inscrição dos débitos na dívida ativa de uma média de cinco anos para 90 dias.

A redução foi considerada drástica por representantes da classe empresarial. É o caso do consultor de empresas do PIM e presidente do Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon – AM), Ailson Rezende. Ele avalia que cada processo deve ser analisado isoladamente. “É claro que quem deve tem que pagar, mas cada caso é um caso. O que acontece é que o empresário, principalmente o pequeno e médio faz a opção pelos insumos básicos na prioridade dos pagamentos efetuados. Se ele deixa de pagar energia elétrica, por exemplo, a fábrica para”, exemplificou.

O economista disse ainda que a modificação pode comprometer a taxa de natalidade das empresas. “O imposto sempre concorre para que o empresário não consiga arcar com os custos fixos, ou seja, a manutenção da estrutura mínima. Agora elas terão 5% do total do tempo anterior. A pressão é muito forte”, argumentou.

Já para o analista econômico da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Gilmar Freitas, o processo de cobrança será acelerado sem as devidas adaptações. “Além disso, o momento é ingrato para o empresário, sobretudo para a indústria, em função da crise”, analisou.

O secretário rebate que o projeto de lei visa corrigir um processo defasado por quase 40 anos e que o novo prazo é suficiente para o contribuinte se justificar e parcelar a dívida, se for o caso. “Entre a aplicação do auto e a cobrança judicial se vão pelo menos cinco anos”. Além disso, não acreditamos que a mudança vá impactar a taxa de natalidade das empresas. Só estamos querendo modernizar um processo muito antigo”, justificou.

Ele garante que, após a aprovação, o devedor vai ter opções de negociação. Conforme informações da Sefaz-AM, O contribuinte poderá parcelar débitos de até R$ 40 mil em seis parcelas, tudo através do site do órgão. Dívidas acima desse valor poderão ser quitadas em até 12 parcelas. Prazos maiores serão avaliados separadamente pelo titular da secretaria, Isper Abrahim.

Gilmar Freitas, por sua vez, acredita em conversas entre a secretaria e a classe empresarial. “Um consenso seria o ideal”, finalizou.

viaDívida ativa do Amazonas pode chegar a R$ 8 bilhões | Portal Amazônia Editoria.

Deixe seu comentário

  Você deve estar logado para comentar.

Comente diretamente no seu Facebook

Outras Notícias

  • Tributária



    Opção pelo Simples Nacional do Representante Comercial

    SOLUÇÃO DE CONSULTA No 39, DE 8 DE ABRIL DE 2013 DOU de 17-05-2013 ASSUNTO: Simples Nacional EMENTA: MICROEMPRESA. REPRESENTANTE COMERCIAL.IMPOSTO DE RENDA. SUJEIÇÃO. A microempresa constituída posteriormente a 1995, sujeita-se, independentemente da atividade que explore, ao imposto de renda, cujo recolhimento pode efetuar mediante o sistema simplificado instituído pela Lei nº 9.317, de 1996, e ampliado pela Lei Complementar nº 123, de 2006. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.317, de 1996, art. 3º; Lei Complementar nº 123, de 2006, art. [...]

    Leia mais →
  • Trab. Previdência



    Lei dispõe sobre estabilidade provisória da gestante

    LEI N°  12.812, DE 16 DE MAIO DE 2013 DOU de 17-05-2013 Acrescenta o art. 391-A à Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, aprovada pelo Decreto-Lei n°  5.452, de 1°  de maio de 1943, para dispor sobre a estabilidade provisória da gestante, prevista na alínea b do inciso II do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1°  A Consolidação [...]

    Leia mais →
  • Legislação



    Destaques do DOU de 17-05-2013

    ATOS DO PODER LEGISLATIVO Lei garante estabilidade para gestantes cumprindo aviso prévio MTE    Conselho Nacional de Imigração disciplina autorização de trabalho a estrangeiros MS    Definidas estratégias para aumento do acesso aos procedimentos traumato-ortopédicos no SUS MCT    Agência Espacial Brasileira aprova bases operacionais do Programa Microgravidade MS    Liberados R$ 12,7 milhões para enfrentamento da Influenza-2013 em São Paulo MEC    FNDE baixa normas de transferência de recursos para manutenção da educação infantil MS    Portaria disponibiliza R$ [...]

    Leia mais →
  • Tributária



    Escândalo traz à tona nova tática do Fisco: vasculhar o Facebook

    Conservadores temiam ser punidos por postagens no Facebook A mais recente revelação do escândalo envolvendo o Fisco americano, acusado de perseguir grupos conservadores que tentavam conseguir isenção de impostos, traz um dado alarmante: o órgão equivalente à Receita Federal nos Estados Unidos vasculha até o Facebook de seus contribuintes. Segundo a organização americana de jornalismo investigativo Politico, o Fisco analisou posts de grupos não alinhados ao governo democrata, numa tentativa de limitar as vozes contrárias durante as eleições presidenciais do ano passado – [...]

    Leia mais →
  • Corporativa



    Reunião no CFC discute dificuldades na autenticação da ECD

    Por Maristela Girotto Mais de 50% dos livros digitais analisados pelas Juntas Comerciais do País são indeferidos, colocados em exigência ou substituídos. Com o objetivo de contribuir para a solução desse problema, membros do Grupo do CFC para estudos técnicos sobre o Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) reuniram-se, neste dia 15/5, na sede do CFC, com representantes da Receita Federal do Brasil, da Fenacon, do Departamento de Registro Empresarial e Integração (DNRC) e de Juntas Comerciais. Uma alternativa encontrada [...]

    Leia mais →